Archives 2026

Dark social concentra 71% das decisões de compra e pressiona mudança no modelo de vendas.

O funil de vendas tradicional perdeu eficácia diante das novas dinâmicas de consumo e relacionamento entre marcas e clientes. Essa é uma das principais conclusões da primeira edição do relatório Sales Foresight 2026: Abriendo las Puertas del cambio, elaborado a partir de uma pesquisa com executivos da área comercial.

71% das decisões de compra já acontecem em um tipo de ambiente denominado dark social, termo que designa ambientes privados de troca de informações, como conversas e grupos em plataformas como Meta, WhatsApp e Discord. Nesses espaços, recomendações entre usuários ganham cada vez mais peso e permanecem fora do alcance das ferramentas tradicionais de análise de dados.

As empresas passam a abandonar modelos lineares de vendas e enfrentam jornadas de compra mais fragmentadas e difíceis de rastrear. O consumidor pesquisa, compara opções e toma decisões de forma mais autônoma, o que leva equipes comerciais a ampliar o uso de análise de dados e de novas ferramentas tecnológicas.

A transformação na função comercial tem caráter estrutural e o futuro das vendas passa pela consolidação completa de um novo formato de atuação, marcado por maior automação, capacidade preditiva, integração entre sistemas e personalização das interações.

Do keyword ao prompt: novas formas de buscar produtos e recomendações

O relatório destaca o avanço da inteligência artificial nos processos comerciais. Entre os executivos ouvidos, 73% avaliam que a tecnologia será decisiva para aprimorar a prospecção de clientes. Ao mesmo tempo, 64% reconhecem que a inteligência artificial ainda não está plenamente integrada às rotinas de vendas de suas organizações.

Dados de uma pesquisa conduzida pela consultoria McKinsey apontam que 50% dos consumidores já utilizam ferramentas de busca baseadas em inteligência artificial. Nessas plataformas, as taxas de conversão podem alcançar níveis até duas vezes superiores aos observados em buscas tradicionais.

A mudança também se reflete na forma como os usuários formulam suas pesquisas. Enquanto consultas convencionais em mecanismos de busca costumam reunir entre três e cinco palavras-chave, interações mediadas por inteligência artificial tendem a ocorrer por meio de prompts mais extensos, com cerca de 15 a 20 palavras. Esse formato permite elaborar perguntas mais complexas e obter respostas mais completas e direcionadas.

Marketing Shots 2026 reúne apostas de 48 líderes sobre o futuro do Marketing.

O ritmo de transformação do Marketing nunca foi tão intenso. Novos canais surgem rapidamente, as tecnologias se multiplicam e a pressão por resultados cresce na mesma proporção. Com tantas mudanças aceleradas, os líderes da área precisam fazer escolhas estratégicas e apostar em caminhos capazes de gerar impacto real nos negócios.

É justamente para capturar esse momento que surge o Marketing Shots 2026, um estudo da Faster produzido em parceria com a HubSpot. O material reúne a visão de 48 especialistas — entre CMOs, diretores de Marketing e executivos reconhecidos no mercado — que compartilham suas leituras, convicções e perspectivas sobre o que deve moldar o futuro da disciplina no Brasil.

Diferentemente de relatórios tradicionais baseados em análises estatísticas ou dados consolidados, o Marketing Shots assume um posicionamento declaradamente opinativo. A proposta é reunir “shots”, ou apostas estratégicas, feitas por profissionais que estão diretamente envolvidos na operação e nas decisões que movimentam o mercado.

Segundo os organizadores, a ideia é fugir de análises genéricas e aproximar o debate da realidade enfrentada pelas equipes de Marketing nas empresas, marcada por pressão por eficiência, mudanças constantes nos canais e evolução contínua das métricas de performance.

Um dos pontos do relatório está na relação entre tecnologia e estratégia. De acordo com o material, 92% dos profissionais acreditam que quem não incorporar Inteligência Artificial ao fluxo de trabalho pode ficar para trás no mercado. Ao mesmo tempo, 81% afirmam já conseguir medir impacto direto da IA em metas de negócio, sinalizando que a tecnologia começa a sair do campo da experimentação para se tornar parte estruturante da operação de Marketing.

O estudo também aponta que a transformação não está apenas nas ferramentas. Todos os especialistas consultados concordam que profissionais de Marketing precisam compreender métricas financeiras do negócio, reforçando uma mudança de perfil da área, cada vez mais conectada a receita, margem e crescimento sustentável.

Um retrato das apostas do mercado

A diversidade de assuntos é intencional. O objetivo é criar um material capaz de dialogar com profissionais em diferentes estágios da carreira, desde executivos experientes até profissionais em início de trajetória. Ao reunir perspectivas variadas, o estudo busca também ampliar seu alcance dentro das equipes de Marketing, estimulando debates internos sobre prioridades, investimentos e mudanças estratégicas.

Outro ponto central do formato é o estímulo ao engajamento nas redes sociais. Cada especialista convidado compartilha publicamente seu “shot”, ampliando o alcance do conteúdo e transferindo autoridade ao estudo por meio da participação de lideranças reconhecidas no mercado.

Por exemplo, há pontos que falam que a transformação não está apenas nas ferramentas. Todos os especialistas consultados concordam que profissionais de Marketing precisam compreender métricas financeiras do negócio, reforçando uma mudança de perfil da área, cada vez mais conectada a receita, margem e crescimento sustentável.

Outro dado que chama atenção é a expectativa sobre a estrutura das equipes. 79% dos participantes acreditam que os times de Marketing tendem a diminuir nos próximos anos, movimento associado ao avanço da automação e da Inteligência Artificial nas operações.

Paradoxalmente, enquanto a tecnologia avança, a criatividade ganha ainda mais relevância. Para 88% dos especialistas, a capacidade criativa será um dos principais diferenciais competitivos do Marketing no futuro próximo, especialmente em um cenário em que ferramentas e plataformas tendem a se tornar cada vez mais acessíveis para todas as empresas.

Possível inclusão de “prediction markets”

Para as próximas edições, os organizadores avaliam incluir um novo formato de interação inspirado nos chamados prediction markets. A ideia é apresentar perguntas estratégicas para que os especialistas indiquem se acreditam que determinado tema ganhará ou perderá relevância nos próximos anos.

Esse tipo de abordagem permitiria capturar tendências de forma mais dinâmica, transformando o estudo em uma espécie de termômetro coletivo das expectativas do mercado. A proposta reforça o caráter participativo do projeto e amplia a possibilidade de comparação entre percepções de diferentes executivos e áreas do Marketing.

O manifesto que acompanha o estudo reafirma que o Marketing vive um dos períodos mais intensos de transformação da sua história. Novas plataformas e formatos de comunicação surgem constantemente, obrigando profissionais a aprender e testar ferramentas em ciclos cada vez mais curtos. Ao mesmo tempo, a adoção de tecnologias e soluções de dados vem aumentando a pressão por eficiência e por comprovação de resultados.

Playbooks tradicionais rapidamente se tornam obsoletos, enquanto novas estratégias são criadas e testadas em velocidade acelerada.

A relação entre marcas e consumidores também mudou. Hoje ela é mais fragmentada, mais exigente e mais humana, exigindo das empresas uma capacidade maior de escuta, adaptação e relevância cultural.

Decisões mediadas por IA e a mudança na jornada de compra.

A inteligência artificial vem ganhando espaço na jornada de compra e cada vez mais consumidores estão iniciando suas decisões dentro dessas ferramentas. Além dos canais tradicionais como Google, redes sociais e recomendações de amigos, os usuários recorrem também ao ChatGPT, Perplexity, Gemini e outras IAs quando buscam por um produto ou serviço.

Essa mudança tem impacto direto na forma como a etapa de consideração acontece. Segundo Rafael Rez, fundador da Web Estratégica e autor do livro “Marketing de Conteúdo: a moeda do século XXI”, a IA se tornou mediadora da tomada de decisão, especialmente em categorias em que a autoridade do fornecedor influencia fortemente na escolha final.

“Dentro das IAs, os usuários comparam opções, entendem diferenças, avaliam confiança e fazem uma pré-seleção de marcas para solucionar seu problema. Tudo isso antes mesmo de visitar sites ou conversar com os vendedores”, completa o executivo.

A IA passou a atuar como uma espécie de gatekeeper na fase de consideração, filtrando o que será visto pelo comprador. “Se a IA não cita a sua marca, é como se ela não existisse para uma parcela crescente de compradores que já utiliza este canal”, afirma Rez.

Quando isso acontece, a empresa não apenas perde visibilidade, ela perde oportunidades comerciais. Se a marca sequer disputa a fase de consideração, na prática, ela deixa de competir por clientes que já estão com intenção de compra. Em mercados B2B e de alto valor, isso significa impacto direto em pipeline, share of wallet e previsão de receita.

Mais do que uma tendência, os dados mostram que essa mudança já está em andamento. Segundo a Adobe, 39% dos consumidores já usaram IA generativa em algum momento do processo de compra online. No B2B, a adoção também acelera e 19% das empresas já utilizam IA generativa em processos de compra ou venda, de acordo com a McKinsey. A projeção da Forrester é de que em até dois anos, 89% dos compradores B2B usarão ferramentas de IA generativa em suas rotinas de tomada de decisão.

A visibilidade das marcas nas ferramentas de IA

Um dos pontos mais relevantes é que as IAs tendem a repetir marcas que já aparecem de forma consistente em suas bases de conhecimento. Isso cria um efeito de reforço: quem já tem autoridade aparece mais e quem ainda não tem, não é citado. É uma nova disputa por relevância, mas agora dentro das respostas dos modelos generativos, não apenas nas páginas de resultados dos buscadores.

Esse cenário fortalece a importância do GEO (Generative Engine Optimization), uma estratégia de otimização focada especificamente em modelos de IA generativa. Enquanto o SEO tradicional otimiza a presença das marcas nos buscadores clássicos como Google e Bing, o GEO olha para LLMs e modelos conversacionais, como ChatGPT, Perplexity e Gemini.

Na prática, o GEO trabalha para que a marca seja mencionada quando alguém pede à IA recomendações do tipo “quais são as melhores soluções para determinado mercado”, “quais empresas são referência em determinada solução”, ou “qual é a opção mais confiável para determinado produto”. As respostas das IAs se baseiam em padrões de autoridade e utilidade. É nesse ponto que o GEO atua, fortalecendo a presença da marca nas categorias em que ela precisa ser reconhecida.

Para Rafael Rez, “esses canais não se substituem, eles se complementam. As marcas precisam ser encontradas onde quer que sua audiência procure por soluções. As buscas no Google vão continuar, mas as ferramentas de IA começam a cumprir um papel muito importante na jornada de compra”.

A relação entre esse novo comportamento e o GEO é direta. As IAs citam marcas com base em autoridade, utilidade e consistência de conteúdo. Marcas que possuem materiais profundos, respostas claras e presença sólida em suas categorias tendem a aparecer mais nas recomendações das IAs. O GEO organiza essas camadas e ajuda empresas a serem citadas nas categorias que realmente importam, especialmente nos momentos em que o consumidor está formando sua decisão.

Se a jornada do consumidor também acontece na IA, a autoridade da marca precisa existir dentro da IA. A fase de consideração está sendo filtrada antes mesmo de o cliente chegar ao site ou interagir com qualquer canal oficial. Construir reputação na IA generativa agora é o que vai determinar quem será considerado nos próximos anos.

A Veloxtv Group vem acompanhando esse movimento de perto. A empresa se consolidou como a consultoria de SEO e conteúdo de grandes marcas como Electrolux, Epson, Banco BMG e muitas outras. Com a popularização da IA generativa, passou a analisar diariamente como esses modelos mencionam marcas, quais conteúdos são utilizados como base e quais atributos influenciam as recomendações.

Todo esse conhecimento já faz parte de projetos estratégicos com grandes empresas, que combinam SEO, GEO e conteúdo orientado à jornada. “O desafio agora é ser útil, ser confiável e ser lembrado tanto pelos consumidores quanto pelas IAs. E tudo isso depende de uma junção de conhecimento técnico, compreensão da jornada e uma estratégia robusta”, reforça Rez.

À medida que a tomada de decisão migra para dentro das IAs, preparar a marca para ser citada deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica.